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Corrida de longa distância

Com jogos até dezembro, Série A do Campeonato Brasileiro começa sem times despontando como favoritos

Começou a maratona. Ao longo dos próximos oito meses, cada um dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro de futebol jogará 38 partidas em uma verdadeira prova de resistência. Enquanto em países como Espanha, Alemanha, França e Itália poucos times são candidatos ao título, no Brasil a marca é o equilíbrio na disputa. E não é só pela quantidade de clubes de grande tradição e torcida. A intensa movimentação de compra e venda de jogadores, atraídos por propostas da Europa, China, Estados Unidos e países árabes, provoca baixas significativas nos elencos.

Um exemplo é o Corinthians, campeão de 2015, que perdeu o zagueiro Gil, os meias Ralf, Renato Augusto e Jadson e o atacante Vagner Love. Com os desfalques, o time oscilou este ano. Foi eliminado pelo Audax na semifinal do Campeonato Paulista e pelo Nacional, do Uruguai, na Taça Libertadores da América.

Os outros clubes paulistas também enfrentam dificuldades. Atual campeão paulista, o Santos ficará quase um mês sem dois de seus principais jogadores, Lucas Lima e Gabriel, convocados para a Seleção Brasileira que disputará a Copa América. Além deles, o artilheiro Ricardo Oliveira sofreu lesão no joelho. No São Paulo, o maior desafio do técnico argentino Ricardo Bauza é superar a irregularidade. Classificado para a semifinal da Libertadores, o time ainda não encontrou um padrão. Paulo Henrique Ganso vem de boas atuações, mas ainda é contestado por seu estilo pouco participativo.

A exemplo de 2015, o Palmeiras possui elenco inchado – o que dá mais opções ao técnico Cuca, mas gera insatisfação no grupo. Jean (ex-Fluminense), Cleiton Xavier e Gabriel Jesus são os principais nomes. Depois de estrear no Brasileirão com uma goleada de 4 a 0 sobre o Atlético-PR, o Verdão decepcionou e perdeu por 2 a 1 da Ponte Preta. Treinada por Eduardo Batista, a equipe de Campinas aposta na solidez tática para fugir da parte de baixo da tabela.

Para os clubes do Rio, o caminho até o fim do Brasileiro promete ser acidentado. No Flamengo, elogiado como exemplo de gestão financeira, a relação custo-benefício de jogadores como Guerrero, Emerson Sheik e Marcelo Cirino, entre outros, ainda não se mostrou compensadora. As eliminações prematuras na Copa do Brasil e na Primeira Liga Rio-Sul-Minas e do Carioca aumentaram o descrédito e, para culminar, o time fará uma peregrinação pelo Brasil até outubro, quando poderá voltar a jogar no Maracanã, após os Jogos Paralímpicos. Igualmente ‘sem-estádio’, o Fluminense ainda busca a melhor formação. Mesmo com a conquista da Primeira Liga, a irregularidade continua dando o tom este ano. Além do goleador Fred, o Tricolor aposta alto no polivalente Gustavo Scarpa.

De volta à primeira divisão depois de disputar a Série B em 2015, o Botafogo sabe que sua luta é contra um novo rebaixamento. Em um elenco enxuto em que se sobressai o goleiro Jefferson – que sofreu uma lesão no braço e ficará três meses longe dos gramados –, a torcida acredita no esquema do técnico Ricardo Gomes, responsável pelo bom desempenho da equipe no Estadual, no qual foi vice.

Assim como o Alvinegro carioca, outros clubes com menor capacidade de investimento brigam para continuar na série A. Sob o comando de Givanildo Oliveira –o mais experiente do campeonato –, o América-MG foi campeão mineiro e voltou à elite do futebol brasileiro após quatro anos. Já o Santa Cruz, dos veteranos Léo Moura e Grafite, ficou dez anos longe da primeira divisão e chegou a disputar a série D. Para representar bem Santa Catarina, o destaque do Figueirense é o centroavante Rafael Moura, e os do Chapecoense, Cléber Santana e Bruno Rangel. O Vitória espera surpreender com a velocidade de Kiesa e Vander.

Os times do Paraná também brigarão para não cair. No Atlético-PR, Walter se destaca num elenco repleto de jovens. No Coritiba, o ponto forte é a marcação.

Com a experiência de Diego Souza, Durval, Magrão e do técnico Osvaldo de Oliveira, o Sport de Recife tem o objetivo de repetir o bom desempenho do ano passado, apesar do início de temporada ruim.

A fase também não anda boa para a dupla Atlético-MG e Cruzeiro. Mesmo cheio de astros (Dátolo, Lucas Pratto e Robinho, entre outros), o Galo ainda não teve atuações convincentes, sendo eliminado na Libertadores e perdendo a decisão mineira. Já o Cruzeiro é um time muito modificado, a começar pelo técnico português Paulo Bento, que precisa de entrosamento.

No Sul, o Internacional perdeu seu maior ídolo, o argentino D’Alessandro, e confia na defesa sólida e no poder de fogo de Vitinho, Sasha e Valdívia. O Grêmio tem no zagueiro Geromel, pretendido pelo Bayern de Munique, o retrato de uma equipe com grande poder de marcação.

O título será disputado rodada a rodada, assim como a vaga na Libertadores, garantida para os quatro primeiros, e na Sul-Americana, competição para a qual podem se classificar os times que não forem rebaixados para a Série B. Nesse início de campeonato, com a situação ainda indefinida, a cotação de equipes com grandes torcidas, como Flamengo e Corinthians, é sempre alta, com as apostas pagando pouco mais de 1 ou 2 para 1. Isso pode mudar depois de algumas rodadas, dependendo da performance e das estatísticas desses times.

Na parte de baixo da tabela, a briga para não cair – descem quatro para a Série B – também será aguerrida. E a lógica é a mesma: times pequenos, como Ponte Preta e Chapecoense, ou fora do Sul-Sudeste, como o Sport, recebem menos apostas, pagando mais. Mas o futebol surpreende. E nem sempre o favorito leva.

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