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Na Eurocopa Do Imprevisível, Portugal Faz Bem Seu Papel De Azarão E Conquista O Título Em Cima Da Anfitriã França

Em jogo emocionante, lusos, que perderam Cristiano Ronaldo no primeiro tempo, chegam ao inédito troféu com um gol no segundo tempo da prorrogação

Foi uma partida que teve todos os ingredientes de uma grande final. Estádio lotado, palco impecável e duas equipes determinadas a buscar a consagração do troféu de melhor seleção do Velho Continente. Não faltaram, de ambos os lados, suor e lágrimas nos 120 minutos da decisão. É uma edição de Eurocopa que será lembrada pelas zebras, revanches e quebras de tabu.

Antes de lançar os olhares sobre a decisão, é interessante observar o tamanho da escrita que os lusos se deparavam, antes do duelo no Stade de France. Portugal vinha de três eliminações em semifinais para a França (duas em Euros e uma na Copa do Mundo de 2006), sem falar no amargo jejum de 41 anos sem vitórias e dez derrotas consecutivas. Além disso, enfrentariam um time acostumado a levantar canecos em casa. Assim foi na Euro de 1984 e no Mundial de 1998.

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Oddsshark.com/br também apontava os “gajos” como zebras, já que cada real apostado tinha retorno quatro vezes maior, enquanto a vitória da França valia 1.10/R$ 1.

Mas a armada portuguesa estava disposta a fazer história neste 10 de julho de 2016 em Paris. Mesmo com o maciço apoio de seus torcedores, era inegável que a força da massa em azul, branco e vermelho fazia muita diferença. A confiança, que já era enorme, aumentou ainda mais com a contusão que tirou Cristiano Ronaldo da partida, aos 23 do primeiro tempo, depois de lutar para suportar as fortíssimas dores causadas por uma entrada violenta de Payet.

Era o cenário perfeito para Griezmann brilhar. Artilheiro da competição e favorito a receber a chuteira de ouro do torneio (o que se concretizou), ele tinha tudo para se consagrar como um dos grandes craques da atualidade. E foi do camisa 7 a primeira grande chance de gol, salva magistralmente pelo goleiro Rui Patrício, naquele que seria o primeiro de muitos momentos de heroísmo do arqueiro português.

E a artilharia francesa continuou incessante no território inimigo. Destaque para Sissoko, que infernizou a zaga lusitana com suas arrancadas e chutes poderosos. Não fosse a boa finalização de Adrien Silva, aos 22 minutos, a tônica do primeiro tempo seria de completo domínio dos Bleus. Àquela altura, Portugal era como um pugilista que estava perdendo a luta por pontos, mas que dava uma clara demonstração de que seguiria de pé no ringue até o fim.

MAIS EMOÇÕES NO SEGUNDO TEMPO

Os primeiros quinze minutos da etapa complementar foram mais equilibrados. E justamente para voltar a retomar o domínio exercido no primeiro tempo, Didier Deschamps promoveu a entrada de Coman no lugar de Payet, que se mostrou assertiva logo de cara. Foi dele o cruzamento para o inacreditável gol perdido por Griezmann, que cabeceou livre dentro da área. A bola passou rente à trave. Era um claro indício de que a sorte começava a sorrir para o lado português.

E tome pressão da França! Evra, por pouco, não completou cruzamento para abrir o placar. Dois minutos depois, outro grande momento da muralha Rui Patrício, que espalmou a bomba de Giroud. O relógio marcava trinta minutos, e o nervosismo já tomava conta dos dois lados.

Eis que Portugal sente que o desfecho poderia ser diferente da dolorosa derrota sofrida em Lisboa, na final da Eurocopa de 2004, para a superzebra Grécia. Aos 33 minutos, Lloris operou um milagre, ao defender, no mesmo lance, o chute de Nani e a conclusão de Quaresma no rebote. Os nervos estavam à flor da pele. E Rui Patrício, sempre ele, para um chutaço de Sissoko, agora, aos 38 minutos.

Mas o lance que daria a certeza de que hoje era o dia de Portugal veio no drama dos acréscimos. Por muito pouco, Gignac, que acabara de substituir Giroud, não se consagrou como o herói do tricampeonato francês. Dentro da área, ele entorta Pepe e emenda rasteiro. A bola, caprichosamente, beija a trave lusa. Desespero da torcida local, que já estava com o grito do gol do título pronto. Com o apito final, muitos dos jogadores portugueses devem ter olhado para os céus em forma de agradecimento.

A PRORROGAÇÃO DA SUPERAÇÃO LUSA

E com a confiança de um sobrevivente, Portugal foi pra cima no início da prorrogação. O camisa 9 português, Éder, que substituiu o jovem Renato Sanches - uma das decepções na decisão -, deu a primeira mostra de que colocaria seu nome na história, ao forçar Lloris a fazer grande intervenção, depois de ótima cabeçada. No início dos quinze minutos finais, Raphael Guerreiro ainda acertou o travessão da França, em uma belíssima cobrança de falta.

Os anfitriões estavam atordoados. Se a insistência da bola em não entrar parecia indicar uma decisão por títulos, era importante lembrar que esta era a Eurocopa do imprevisível. Foi então que Éder recebeu ótimo passe, levou a bola para o meio e desferiu um chute mortal que teve as redes como destino. Tanto no campo quanto nas arquibancadas, os portugueses foram tomados por uma catarse. O pranto de Cristiano Ronaldo à beira do campo dava o tom do desfecho épico que veio junto com o apito final do juiz.

Festa e muitas lágrimas para coroar o título inédito de Portugal, na Eurocopa que fez de tudo para fugir ao script do óbvio. Foi a Euro das surpresas Islândia e País de Gales, que foram longe ao desbancar favoritos; da revanche da Itália, que se vingou da Espanha, depois da dolorosa derrota na final de 2012; Euro esta em que, finalmente, os mesmos italianos caíram diante da Alemanha em competições oficiais; sem falar nos próprios franceses, que se vingaram de três eliminações, em fases decisivas de Copa do Mundo (82, 86 e 2014), contra os alemães.

Mas, como sobrou apenas um ato, coube a Portugal o privilégio de rir por último.

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